Muitos contratos de fornecimento de eletricidade e gás natural a empresas não terminam. Renovam-se sozinhos — e as condições de preço passam a ser as que o comercializador definir nesse momento.

É uma cláusula normal, está no contrato que a empresa assinou, e na prática significa isto: chegada a data de fim, se ninguém disser nada, o contrato prolonga-se por novo período.

Ninguém telefona a avisar. A renovação faz-se em silêncio e a primeira pista costuma ser uma fatura mais alta, dois ou três meses depois, sem que nada tenha mudado no consumo da empresa.

Porque é que o preço renovado raramente é o melhor disponível

Quando a empresa assinou, houve uma negociação. Havia uma proposta em cima da mesa, provavelmente mais do que uma, e o comercializador sabia que estava a competir.

Na renovação não há nada disso. O comercializador está sozinho e aplica as condições que entender — normalmente as suas condições de tabela para aquele perfil de consumo, sem o desconto que fez para ganhar o cliente.

Há ainda um pormenor que passa despercebido: muitos descontos comerciais são promocionais e válidos apenas para o primeiro período contratual. Ao renovar, o preço sobe mesmo que o comercializador não tenha alterado nada — desapareceu simplesmente o desconto que estava a ser aplicado.

O que verificar no contrato e na fatura

1

A data de fim do contrato

Está na fatura, no bloco de dados do contrato, normalmente identificada como "data fim de contrato" ou "período de fidelização". É a data que interessa marcar no calendário.

2

O prazo de pré-aviso

O contrato indica com que antecedência a empresa tem de comunicar que não pretende renovar. Costuma ser 30 dias, por vezes mais. Passado esse prazo, a renovação torna-se automática — e a empresa fica presa a mais um período.

3

Se o preço é fixo ou indexado

São coisas diferentes e não se comparam da mesma maneira. Num preço fixo, o valor por kWh mantém-se durante o contrato. Num preço indexado, acompanha o mercado grossista e varia todos os meses.

A renovação é o momento certo para decidir qual faz sentido para a empresa — e essa decisão depende do perfil de consumo, não da moda do momento.

4

Se o desconto era promocional

Vale a pena procurar no contrato se o desconto aplicado tinha prazo. Se tinha, o aumento na renovação é certo.

A janela que interessa

O período útil abre-se cerca de dois meses antes da data de fim e fecha-se no prazo de pré-aviso.

Antes disso é cedo: as condições de mercado que vierem a ser propostas ainda não existem. Depois disso é tarde: o contrato já renovou e a empresa fica vinculada ao novo período.

A data de fim do contrato é a informação mais valiosa que uma empresa tem sobre a sua energia — e é quase sempre a que ninguém tem à mão.

O que fazer com essa janela

Aberta a janela, o exercício é simples de descrever: pôr as condições atuais lado a lado com o que o mercado oferece hoje para aquele perfil de consumo, e decidir com números.

Uma advertência sobre a comparação, porque é aqui que muitos exercícios falham: os preços só se comparam na mesma base. Uma parte do que a empresa paga por kWh não é do comercializador — são as Tarifas de Acesso às Redes, definidas pela ERSE e iguais em todos os comercializadores. Comparar um preço que já as inclui com outro que as separa dá diferenças que não existem. A comparação que interessa é a da componente de energia, sem redes, nos dois lados.

Feita assim, o resultado é uma de três decisões, e todas são legítimas: manter, se o contrato atual continuar competitivo; renegociar com o comercializador atual, agora com alternativas concretas em mão; ou mudar.

Sabe quando termina o contrato da sua empresa?

Somos uma consultora independente. Não pertencemos a nenhum comercializador e não recebemos da empresa cliente. Envie-nos a última fatura e dizemos-lhe quando termina o contrato e o que o mercado oferece hoje para esse perfil de consumo. E se a conclusão for que o contrato atual já é competitivo, é isso que lhe dizemos.

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